Sexta-feira, Outubro 30

"Segunda-feira, dia 1, é aniversário do Paulo. Eu me lembro como se fosse hoje o dia que eu conheci ele. Abriu meus cadernos nos caracóis da Federal e perguntou quem era a dona daquele caderno. Depois disso, ficamos amigos. Eu me lembro que no longínquo ano de 1999 na Federal tinha uns festivais de música, ou feira de ciência, não sei ao certo, e foi num desses que fiquei muito amiga dele. Todos os dias eu me sentava em algum banco do saguão e esperava aquele menino com quase 2 metros de altura e boina do Che Guevara chegar. E matávamos aula, e íamos para o bar jogar conversa fora. Um dia brincamos de jogo da verdade. Eu e ele. E ele me perguntou se eu queria ficar com ele. E eu, já meio bêbada por conta de todas aquelas pingas com limão que tomávamos, disse: não sei, você é TÃO alto, acho que não vai dar certo. Ficamos. E se passou um mês, dois, três, e quando vimos, um ano, dois, três, quase quatro.

Vivemos muitas coisas juntos. Viajamos, crescemos juntos. Foi dele que eu ouvi o meu primeiro Eu te amo. Assim, como quem não quer nada, no trabalho, recebi um e-mail dele escrito eu te amo no assunto. E só. Fomos muito felizes por um tempo. Com ele eu descobri o que é ser amada e odiada. Talvez, ainda é cedo para afirmar, ele tenha sido o homem da minha vida. A única pessoa com quem desejei ter filhos, com quem passaria a vida toda. Éramos amantes ótimos, grandes amigos.

Hoje, mais do que em qualquer outro dia desses 5 anos que nos separamos, eu sinto muita saudade dele. Sinto falta das gracinhas que ele me dizia, do companheiro inigualável nas viagens para o centro da terra e para fora do planeta, nas viagens físicas e mentais, do companheiro que ele foi durante tanto tempo na minha vida e que estava lá, e só ele estava lá naquele dia horrível.

Eu queria poder ligar para ele na segunda-feira e dizer: Feliz Aniversário. Você sempre será muito especial pra mim..."

(texto estraído daqui)

Quinta-feira, Outubro 29

Segunda-feira, Outubro 26

Acho bom...

...que cada um possa viver, vestir, ser o que quiser,
mas acho ruim que a maioria que usa essa liberdade queira ser eternamente adolescente, justificando assim a estúpida repetição daqueles que não usam esse direito.

Quinta-feira, Outubro 22

Idéia da tropa ou da elite

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Terça-feira, Setembro 29

Quarta-feira, Agosto 12

Brincando de ir embora, brincando de ficar

"Naquela altura minha cabeça andava a mil: eu estava degringolando e tinha plena consciência disso. Ou melhor: não tinha consciência alguma. Pertencia, em síntese, a uma camada inferior da sociedade e isso não me trazia desvantagens, claro, só me fazia ver, cada dia mais claramente, que, se não tentasse recompor meu mundo de uma vez, me perderia para sempre. (...)
Até que um momento houve uma chance e eu procurei avançar. O sinal verde foi uma festinha da escola. Rosário achou que era hora de eu dar as caras, se não haveriam de pensar que as meninas não tinham pai. (...) Tudo terminou em boa paz, pegamos a perua e viemos embora. Rosário me perguntou onde eu queria que ela me deixasse. Fui romântico, respondi estupidamente: em seu coração. Ela arregalou ou olhos, as meninas no fundo do carro entretidas com outras coisas.
- Que você pretende de mim? - perguntou Rosário.
- A última vez. - Fiz uma cara sincera, ela se atrapalhou toda, Totonha e Martinha gritando e discutindo lá atrás. Ela me olhou de um jeito, parecia comovida com minha proposta.
- Está bem - disse -, hoje?
- Hoje.
Não falamos mais nada, nossas filhas até estranharam.
- Vocês ficam brincando na casa da Divina - ordenou Rosário quando as duas saltaram do carro. - Vou levar papai pro trabalho - esclareceu. Naturalmente era mentira. - Vamos até seu hotel, é mais propício.
(...)
- Fique quieto - determinou Rosário, sempre ativa mas ainda mais do que nos primeiros tempos, em que lamentava cada momento perdido sem sexo. Tirou minha roupa, meus sapatos, começou a me lamber ainda vestida. Foram beijos penosos os que demos depois um no outro: ela queria de todo jeito que eu esfregasse o rosto em seu púbis, fazendo o mesmo com o meu. Não importava gozar seguidamente, quase sem parar, numa deliciosa entrega: era importante que eu tivesse idênticas sensações. Pacientemente Rosário conseguiu com a boca que eu gozasse a segunda e a terceira vez, achava que eu queria esconder tesão. FIquei sem fôlego e literalmente dominado quando terminamos.
- Agora preste atenção - começou ainda tirando da boca o esperma. - Descobri o que você quer de mim, o que você quis de mim todo este tempo: trepar. Você jamais quis outra coisa. Pois bem: vou continuar fazendo isso até o dia em que você não quiser mais, só para infernizar sua vida, entendeu? Eu quero infernizar sua vida, como você infernizou e destruiu a minha. Mas quero deixar bem claro que nunca mais serei só sua, serei de outros também, homens gostosos e ternos, como você foi um dia e hoje só é por fingimento. E farei com eles tudo que faço com você para matá-lo de inveja. É isso, de algum jeito faço questão de que você morra. Quero ser sua bela da tarde. - Minha cara não devia ajudar nem um pouco e ela completou, não sei se por maldade: - Vou-me embora com sua porra na boca."



(trecho do livro A vida é sempre assim às vezes, de Wladyr Nader)

Segunda-feira, Agosto 10

A versão de Maria Teresa

"Luís caiu em minhas mãos, em meus braços, e eu nos braços dele. De repente deu um branco, uma crise, um descompasso, e hoje desconheço por onde anda. Até poderia descobrir, já que não se desligou ainda de nós do partido, mas também sei me fazer de orgulhosa, se necessário. Uma mulher orgulhosa é dinamite, disse um primo chegado, Juarez, numa época em que perdeu a cabeça por causa de uma vizinha de apartamento. Foi obrigado a largar o prédio porque, mais um pouco, não conseguiria se controlar, receava não poder evitar a tentação de tocá-la, agarrá-la, sei lá. Tenho certeza de que não hesitaria se ela desse algum sinal de vida mas aí é que está, era orgulhosa, continua sendo, não cederia de jeito nenhum. Se um dia se encontrarem de novo, o orgulho virá abaixo mas já me convenci de que não é pra já, nem sempre o futuro bate com aquilo que aspiramos. Mas por que estou falando de Juarez? Talvez para não falar de mim, para disfarçar de mim própria meus segredos e frustrações. Luís me disse uma vez como você é orgulhosa, Deus meu!, e eu tomei apenas como uma observação, embora devesse ter tomado como uma censura. Compreendo, é um avanço enorme uma pessoa admitir que, sim, é orgulhosa e que com o tempo se emendará para evitar maiores transtornos. A desgraça é que essa minha fraqueza - de fato, é uma fraqueza - talvez só se mostre perceptível para os outros, não para mim. No fundo é isso, no fundo eu me sinto profundamente infeliz, quase sem eira nem beira, como em tantas outras vezes. Minha vida é essa, fico perdendo homens pelo caminho, talveza porque me apaixone fácil. Luís era assim, Luís é assim: direito, puro, ingênuo, terno, amigo. E eu desperdicei a oportunidade a troco do quê? Por causa daquelas malditas viagens, principalmente a última, com o Bob. Luís acho que necessitava mais de mim naquele momento e a felicidade me escapou. Meu Deus, ele tinha abandonado a família por minha causa e eu nem notei, em troca ofereci instabilidade, falta de confiança. Ele me estendeu a mão e eu, nada."


(trecho do livro A vida é sempre assim às vezes, de Wladyr Nader)

Sábado, Agosto 1

Ah, esses homens ávidos

"Peraí, ela abriu o jogo, disse até que gostava de mim, por que o maldito do telefonema acabou atrapalhando tudo? Criou um abismo entre nós, Maria Teresa precisou sair correndo, nem disse adeus, e eu aqui perdido, sem ação, esquisito? Ela, portanto, me ama ou no mínimo me aprecia demais e no momento ignoro o que fazer com isso. Vou ligar pra casa dela, dizer olhe, percebi uma porção de coisas, ou melhor, não percebi nada, ou melhor, você gosta de mim de fato? Não, cairei no ridículo. Na verdade já ando julgando ridícula qualquer atitude, uma e outra, ficar parado ou agir. Nessas horas é sábio acreditar em milagre, destino, coincidência, uma puta coincidência, não permanecer estático vendo o mundo desabar.
Uma certeza, porém, já tenho, o que de alguma forma me tranquiliza: não sou para ela um dos tais homens ávidos, interessados em sexo, dinheiro ou poder. Apesar dos pesares, desconheço o que pensa exatamente de mim. Se não, não gostaria de você como gosto, foi o que falou. Ao mesmo tempo que isso me conforta me põe por terra.
Especialmente porque de um momento para outro deixa meu ângulo de visão, calculo que esteja de partida. Quem sabe nem passe aqui para me dar adeus, talvez prefira uma simples ligação ou algo assim. Certas pessoas não parecem carentes de afeto mesmo quando necessitam desesperadamente dele. Maria Teresa, já encasquetei com isso, é uma delas, para minha desgraça e, talvez, fortuna. (...)"


(trecho do livro A vida é sempre assim às vezes, de Wladyr Nader)

Sexta-feira, Julho 24

Breve conto sobre amor e paz

Willian andava às voltas com um novo amor, mas ninguém sabia porquê. Tinha nos olhos o brilho dos que se apaixonam perdidamente, mas uma segurança tão pura, tão segura, que parecia até ensaiada e executada com perfeição. Às voltas com um novo amor Willian andava, pensamentos que voavam na direção desse amor, que o levavam ao mundo dos sonhos, que o faziam sentir mais e mais. Andava Willian às voltas com um novo amor, um sorriso delatava sua alegria contida, certa paz se podia apreender de seus gestos e palavras. Com um novo amor Willian andava, de volta.

Segunda-feira, Julho 13

O primeiro acerto de Sarney

Tá, beleza. Agora que o filhodaputa digo, Sarney admitiu que tinha mutreta, oh!, como ele é bonzinho - tá perdoado. Mudamos o rumo da história, tá tudo bem, tudo lindo. Sério? Tomanocu hein?! Puta falta de vergonha na cara desse bando de pilantras! E a gente aqui, sem saber se ri ou chora da própria desgraça!!!

Sobre a fuga dos últimos dias

A tempestade passou, o mar acalmou.
Agora só falta te enxergar num horizonte distante pra ficar em paz.
;)

Sexta-feira, Julho 10

...


"sabe aquela tristeza
que desespera
aperta
dói

... aquela de quando a gente se separou?


... pois é. já passou."

roubei daqui.

Segunda-feira, Julho 6

#forasarney


Sobre as supostas manifestações contra o presidente do senado, divulgadas via twitter e que se mostraram absolutamente ineficientes quando da transição para o mundo real, compareci na que deveria acontecer em Curitiba ontem, 05 de julho, concomitantemente ao jogo Coritiba x São Paulo. Exceto por uma amiga que encontrei na praça Tiradentes e lá estava pelo mesmo motivo, não vi sequer sinais de que alguém sabia que havia sido marcado tal protesto. Algum barulho no mundo virtual? Não sei, mas silêncio absoluto no mundo real. E a inércia nos leva à costumeira derrocada, como está fica e não se fala mais nisso.

Sexta-feira, Julho 3

Outra daquelas

Agora nosso presidente (Lula) mandou seu partido (PT) apoiar o vagabundo digo o presidente do senado José Sarney por "governabilidade". Isso que o DEM, um dos principais aliados do vagabundo digo Sarney, continua pedindo seu afastamento.
Meu blog tá mudando a temática, agora vai ser humorístico.

Quinta-feira, Julho 2

Conto ou não conto?

Deito na cama. O edredon exala o cheiro de sexo, suscitando o despertar do instinto animal escondido em mim. Sua maciez sentida na palma de minhas mãos traz à mente seus olhos fechados no sorriso tímido que morde os lábios segurando o gemido. Escuto seu gozo na respiração repetida e contida que deseja cravar as unhas em minhas costas, seus gritos roucos disfarçados na língua que molha os lábios e me abraça com um carinho de prazer e amor. O silêncio que me enche esvazia a mente e a alma daquilo que rouba a paz. Sorrio satisfeito e durmo tarde demais.

Quarta-feira, Junho 17

Vá pra putaquepariu!

Vergonha, raiva, indignação. Difícil distinguir qual sentimento é mais forte quando se trata da política no Brasil. Mesmo pra um cara conformado como eu, que quer mais é que tudo vá pra pêqueospê, fica difícil engolir sapo com o nó na garganta que uma notícia dessas dá.

Pessoal, ano que vem com força total, não esqueçam do movimento:


Cambada de filhos-da-puta!!!

Terça-feira, Junho 16

das novas divagações

aquilo machucava por dentro e machucava de uma maneira tão incômoda e permanente, fazendo saber que não haveria meio de mudar. a mudança, digamos assim, 'necessária' já havia ocorrido. havia ocorrido mas não era suficiente pra que a avaliação dos olhos de antigamente deixasse de existir. e doía, não porque fosse relevante mas porque lhe fazia perceber sua limitação em ensinar aquilo que não se ensina, de fazer descobrir e não poder garantir o aproveitamento total. como sempre, do seu ponto de vista.

Quinta-feira, Junho 11

Isso não é uma questão de opinião

Não é um problema que as pessoas não desejem as mesmas coisas que desejamos, ou que não tomem decisões de acordo com o que julgamos melhor. São apenas pontos de vista e cada um é livre para decidir qual será sua postura, independentemente da inércia ou qualquer outra força que atue sobre o indivíduo. "Conhece a verdade e a verdade te libertará". Quanto mais analisamos a influência de nossas atitudes, pensamentos e comportamentos enquanto indivíduo, grupo ou até como parte de toda a sociedade, mais próximos chegamos de concluir que nada faz sentido. Julgar bom e mau, certo e errado, agradável e desagradável são apenas óticas de opiniões embasadas em diferentes graus de conhecimento e experiência, que não necessariamente tornam um indivíduo mais capacitado que outro, mas nos leva à compreensão de que essa decisão/opinião pode ser qualquer uma e merece ser respeitada. E isso é só uma questão de opinião.

Domingo, Maio 31

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."
Caio Fernando de Abreu

(Trocando em miúdos, tô querendo o que eu quero mesmo. Pra ontem)

Quarta-feira, Maio 27

Contando um conto

Pareceu que o papel em branco tinha muitas letras e rabiscos, mas era só uma página em branco de um livro de histórias mal contadas que ficam pra sempre na memória e guardadas na estante...
Depois de fechar a porta, correu ao encontro daquilo que acreditava ir de encontro à máxima fraqueza de sua vítima, então despedaçou-se por aí e acabou perdendo muita importância. Não ligou, se remexeu e seguiu, chorando às vezes lágrimas contidas daqueles que não souberam amar.
Nem disse adeus, mas lembrou-se das tantas vezes em que poderia tê-lo feito -ou evitado - e deixou pra depois. Deixar pra depois parecia sempre a melhor solução. Que o acaso nos proteja!
E o outro ria, sádico, de si mesmo, entortando a vida pra caber nas linhas daquele caderno que não queria frequentar, mas nem pôde escolher. Simples assim, a vida se desfêz como a espuma do mar some na areia sob o sol do outono. Um sorriso preciso significa paz.

Quarta-feira, Maio 6

"Por que não esqueço? Por que tornei-me fraca? É esse amor que nunca experimentei, que nos deixa brega, com medos e vontades. Quero te falar sobre tudo isso, e nem sei se você gosta de ouvir esses meus atropelos, por favor, não julgue-os, é muito amor, é só isso, é tudo isso. Tudo faz drama dentro de mim.

Sinto tudo isso quando você não está perto, porque quando você chega, tudo desaparece, não há mais problemas, e por alguns segundos na sua presença eu lembro das angústias, mas logo penso o quanto é bom estar ao seu lado e que eu não ligaria desse aperto ficar comigo, dessa angústia me acompanhar, se você estiver comigo. Com você por perto eu esqueço. Fecho essa voz, não quero saber. Desde que eu tenha você. Fico em paz. Aí te dou todo amor do mundo."

Outro breve furto literário...

Quinta-feira, Abril 9

n da oscar goes 2

Há tempos não recomendo outro blog, né?
É, tenho lido muito pouco, confesso.
Aqui vão três indicações:
A Outra, (leitura diária) que postou tirinha dOs Bichinhos de Jardim (de que gostei);
Para a Penseira, do professor André (o cara apavora).
Ah, a Clara (do blog dos Bichinhos) gravou uma música do Leoni, num período que ela chamou de entressafra criativa, e eu gostei também.

Terça-feira, Março 31

O Salto

De um lado, suas vontades e desejos.
De outro, seus medos e dúvidas.
É o salto.
Nem sempre é possível ter noção da dimensão do salto,
não é sempre que se consegue percebê-lo e compreendê-lo por inteiro,
mas sempre é preciso decidir.
Saltar ou não saltar?
Agarrado às certezas que tem, ainda precisa lidar com seus anseios.
Saltar não é obrigação, não saltar também é uma escolha.
Afinal, são essas escolhas que determinam seu caminho e, assim, desenham a estória de sua vida...

Sexta-feira, Março 20

Ontem tive uma experiência tão incômoda quanto satisfatória. Alguém cujo comportamento eu já havia rotulado previamente - seja por preconceito ou pela primeira impressão - mostrou-se muito diferente daquilo que eu esperava. Com questionamentos agressivamente perturbadores arrancou-me da zona de conforto e me fez olhar novamente pro abismo que existe entre o eu percebido por mim e pelos outros, mas mais do que isso me fez reconhecer que minha postura, apesar de levemente instigante, ainda é muito pouco perto daquilo que deveria representar.
Mudança de conceitos, realidade não é sempre o que parece. A novidade é o que traz o tesão na vida, não é?

Terça-feira, Março 10

Você não veio

Coloquei aquele velho disco, abri as janelas e arrumei as almofadas, acendi um incenso de fragrância suave e preparei o seu chá predileto, mas você não veio. Procurei nos livros uma frase que pudesse me fazer compreender aquele sufoco que eu não compreendia, procurei uma resposta pra pergunta que não existia, as horas passaram e você não veio.
Desliguei meu celular e sentei num banco de praça, não lembrava bem ao certo qual era o banco em que você costumava sentar, e percebi que o orelhão do qual eu lhe telefonava já não existia mais, também. Algo não existia e você não veio. Nessa hora imaginei que me bateria um desespero, mas a serenidade que me dominava era algo muito mais forte do que as conturbadas emoções dos últimos tempos, então imaginei que fosse maturidade perceber que os sentimentos vão embora da mesma forma que chegam, mas descobri que era só tristeza porque você não veio, e eu achei que depois de tudo você viria, mas você não veio. Aproximou-se uma borboleta, que sentou ao meu lado e sem dizer nada limitou-se a me encarar. Contei-lhe então sobre a minha trajetória, como minhas escolhas haviam determinado meu caminho e me tornado quem eu era naquele momento, mas ela ouviu calada, bateu as asas, como que concordando com meu lamento, e voou. Tão breve quanto aquele momento foi meu desespero, tão simples como reaprender a letra de uma velha canção foi meu despertar. Levantei daquele banco, respirei fundo e então me dei conta de que você não viria - então fui embora, porque você não veio.

Terça-feira, Fevereiro 3

Às vezes ela acenava de longe, usando a outra mão pra proteger os olhos da luz do sol e abrindo um imenso sorriso que me derretia e fazia saber que a distância, enquanto pudéssemos divisar nossos corpos num horizonte distante, ainda que trilhando rotas distintas, estaria bem. Acontece que um dia, não lembro se bem cedo ou num fim de tarde, ela não levou a mão aos olhos e eu pude ver em seus olhos semicerrados a expressão de cansaço e tristeza que inundava aquele olhar. Nesse dia seu aceno foi um adeus e ela foi embora sem olhar pra trás.

Quarta-feira, Janeiro 7

Das coisas que aprendi...

Aprendi que amar é muito mais do que possuir, que o amor é um sentimento e não uma relação, que amor não se copia nem repete, mas sua reinvenção, cada vez de forma diferente e sempre com olhos mais experientes do que da vez anterior, é o que faz dele o mais sublime dos sentimentos, muito além de todas as cores e formas com que as pessoas insistem em pintá-lo.

Segunda-feira, Dezembro 8

Uma tarde na soleira

Um velho colchão e almofadas, céu azul de sol trazendo vento pra refrescar a tarde de domingo. O toque das mãos desencontradas, o sono, a massagem, o cafuné. Suco, chá, biscoito bala amendoim e uma associação industrial na embalagem. Conversas esparsas pra quem tem o que dizer, comentários daqueles que poucos entendem e te fazem gargalhar todo dia, um cabelo de maluca pra te fazer mais provocante, um arrepio que te abraça e faz perceber que não é de muito que se constrói felicidade, mas de pequenos momentos-delícia que te fazem ver que o céu é azul, o sol brilha e mesmo que não houvesse nada disso ainda haveria motivo pra sorrir. Um cigarro, outro cigarro, um narguillé e um do bom. Uma risada gostosa, minha mão na tua cintura, teus pés encontrando os meus e a vontade de parar o tempo pra curtir aquele momento como se fosse o único, o primeiro e o último, como se a vida não fosse mais do que viver pra ser feliz...

Quinta-feira, Novembro 27

Terceirizando

"Solteiros



Todo solteiro crônico precisa de um amigo solteiro convicto. Esta afirmação pode parecer confusa ao não-iniciado, ate pela diferença entre os termos. E não apenas isso, também o problema da presença do verbo precisar nessa frase. 
Vamos começar pelo mais simples. A diferença entre o solteiro crônico e o convicto é pura e simplesmente no objetivo de ambos. Enquanto o convicto não quer encarar um relacionamento (foge dele como o diabo da cruz), o crônico adoraria começar um. Alias, a grande frustração do solteiro crônico é de estar na sua condição, o que é o oposto para o convicto, que está felicíssimo com isso. 
Como a palavra relacionamento é utilizada por ambas as espécies freqüentemente, uma como praga e outra como reza, ambas sabem que são condição é temporária. Alias, o fato é que ambos os tipos esperam encontrar uma mulher que os mereça e conquiste. 
Do ponto de vista da conquista, o crônico sabe que precisa conquistar, então fica num esforço quase sobre-humano de tentar com todas que lhe interessem, o que gera grandes frustrações e crises de depressão. O convicto já não se importa tanto. Quando tenta conquistar, ele o faz por objetivos práticos para maior obtenção de favores sexuais. Enquanto que o primeiro já é mais facilmente arrebatado e sabe melhor o que quer, o segundo não quer porra nenhuma, cria ideais inatingíveis de perfeição para pode justificar o pouco de canalhice que possui. No final, o convicto acaba sendo o cara que se pode chamar de galinha e difícil, enquanto que o crônico é o tipo romântico e complicado. Um é pragmático e o outro é subjetivo. Segundo um amigo meu, o canalha é o único romântico possível no novo milênio. 
Ironicamente, todos sabemos que para as mulheres é muito melhor lidar com o convicto. Num mundo em que as mulheres estão se masculinizando, a idéia da conquista do macho, o máximo da comprovação freudiana da inveja do pênis, um solteiro convicto é muito mais interessante que o crônico. 
Enquanto ambos não chegaram ao seu ultimo estagio de evolução (que é estar dentro de uma relação), na sua fase solitária eles acabam descobrindo a forca da união de seus esforços. 
O fato é que todos sabemos que mulheres trabalham comparativamente. Quando analisam um grupo, elas tendem a identificar as diferentes personalidades dentro dele para ver o que cada um tem de defeitos e qualidades. Acredito que isso tenha começado com uma banda de Liverpool. Não é a toa que todos os grupos com fins meramente comerciais depois dos Beatles tenham usado essa formula ad nauseum. Com isso, mulheres que preferem caras legais muitas vezes vão se sentir mais à vontade de se aproximar dele ao ver que é muito melhor que o amigo e o mesmo acontecerá com as que preferem os canalhas. 
Alem disso, um inveja e admira o outro, o que gera um grande respeito. O convicto se sente culpado por pensar assim (até porque deve lembrar da relação com a mãe). O crônico queria ser convicto pra não sofrer. E ambos acabam sempre estando disponíveis pra ir pra esbórnia. Quando todo os outros amigos estão namorando, é a melhor saída. 
Alem do mais, solteiros convictos em bando acabam sendo repugnantes pras mulheres. E crônicos em grupos de dois ou mais acabam gerando uma péssima sensação de mal-estar e depressão no ambiente. 
Por fim, o dia chega. Evolução pokemon! Os solteiros deixam de ser assim... O mais interessante é que o crônico começa a adquirir uma sensação de super-homem e fica um pouco mais canalha. Não um cretino completo, mas tanta energia acumulada acaba tornando cara um verdadeiro furacão sexual que a mulher tem q aprender a segurar, senão vai comer a vizinha, a sindica, a sogra... O outro, em compensação, fica tão surpreso e maravilhado com o que parecia impossível que fica manso que nem cordeiro. No final, a tendência é mesmo um equilíbrio, mas invertendo um pouco os papéis. 

Se eu fosse mulher, pegaria o crônico." 

(escrito por Leandro M. Damasceno - extraído desse blog)

Sexta-feira, Novembro 21

Conto

Ela tinha o cabelo enrolado, pernas torneadas e lembranças esquisitas. Ele sempre sabia tudo mas não entendia nada de alemão. Eram mais do que amigos, eram parte da estrutura do outro, não essa estrutura que todo mundo imagina, cheia de ossos, órgãos e sangue, mas daquela estrutura que nos mantém distantes - ainda que seja só uma linha imaginária - da completa insanidade. Andavam juntos, cantavam juntos e riam sozinhos. Fumavam e às vezes bebiam, dividiam talheres e ensaiavam um carinho tímido. Passeavam no shopping mas não conseguiam se livrar das caras de malucos que estampavam seus rostos de expressão inquieta e perturbada, com um desejo escondido e a insistente teimosia em controlar as emoções, como se aliviar a dor não fosse muito diferente de descobrir o amor...

Terça-feira, Novembro 11

Rapidinha

"O melhor do início do relacionamento é transar com exagero, oito vezes num dia. Depois esfria."

Quinta-feira, Novembro 6

O meu eu e o seu meu eu.

A consciência do quê somos nos transforma e molda a maneira que nos vemos, influenciando todas as nossas relações sociais. Nos perceber implica uma análise superficial de nós mesmos, análise um pouco distorcida pelo fato de que não é possível desvencilhar o conhecimento mais profundo que temos de nós no momento em que nos olhamos, como num espelho, para emitir um julgamento de valor a nosso respeito. Essa análise superficial somada à nossa razoável incapacidade em perceber que os outros não nos vêem da mesma maneira que nos enxergamos acaba gerando uma terceira imagem que pode ser representada pela diferença entre a percepção que temos de nós e a percepção que os outros têm de nós, um punhado de coisas boas que não conseguimos mostrar e imaginamos que os outros já sabem a nosso respeito.

Domingo, Outubro 26

Pensava eu

As lembranças que me rodeavam costumavam deixar um cheiro conhecido no ar e até um princípio de susto, medo de que não fossem embora nunca mais. Eu não lembrava bem quando haviam chegado, mas quando me dei conta de que não sabia porque se recusavam a sair, me deixaram. Primeiro quis sentir-me só, como não houvesse mais a dependência que criei, senti-me pleno. Temi não saber como agir, mas aprendi que quando a gente não sabe acaba por agir da maneira que é. Agora estava liberto, ao descobrir que quaisquer novos sentimentos - ainda que por um velho amor - serão sempre novos sentimentos.

Sexta-feira, Outubro 17

Dreamin'

Hoje de manhã sonhei que te percorria, minha barba deslizava em tuas pernas, tua resistência fingida não me convencia. No instante em que minha lingua alcança teu sexo, tu te derramas e me abraça com força e vontade, acordei. 


Esse post é bem atipico, mas foi tão real e tão bom que eu precisava compartilhar a emoção.

Sexta-feira, Outubro 10

Navego de sapato novo

Eu tinha um navegador muito bom. Nem preciso dizer o nome, mas como voces provavelmente ja sabem, direi: Mozilla Firefox. Tudo comecou ha' muito tempo, um breve flerte que quase tornou-se um relacionamento, mas por certa imaturidade (mesmo ja' conhecendo a rede ha' algum tempo, nos tempos de icq) acabou nao durando. Nosso reencontro rolou numa boa e foi delicioso, descobrimos muitas novidades sobre o outro, sobre as mudancas que ocorreram no tempo em que estivemos distantes e achamos tudo incrivel. O remember valeu a pena e surtiu um excelente resultado, nao havia grandes magoas e mesmo quando comparado 'a versao mais recente do IE*, o Mozilla deixava qualquer um no chinelo. Virou oficial. O tempo foi passando e, noves fora, era tudo maravilha. A gente se dava muito bem, nosso relacionamento era bastante estavel. Certo dia, nao lembro bem a razao, nao faz muito tempo, nos desentendemos. Nessa ocasiao apareceu, e eu juro que foi por acaso, o Google Chrome. Eu nao sabia bem o que fazer, era tanto tempo e era tanta coisa, entao simplesmente deixei-me levar na situacao e provei. De cara foi bom, era bem agradavel, apesar de ter um jeito diferente - e ai' me dei conta de que o jeito diferente era reflexo do meu habito em navegar com o Mozilla, e que na verdade aquele novo era e podia ser uma boa experiencia. Tem sido. Confesso que tenho algumas reclamacoes, mas acho que e' questao de tempo ate' tudo se acertar. Por exemplo, apesar do Chrome nao rodar (ou rodar mal) o plugin do youtube (shockwave, i think), pode ate' ser bom desbitolar dessa ideia de ficar vivendo os videos do youtube pra descobrir nessa rede outros mares...

*internet explorer, caso algum internauta seja de outro planeta

Terça-feira, Outubro 7



Domingo, Outubro 5

Ressaca!

...coisa que nao tinha ha' algum tempo, alem da vertiginosa experiencia nessa madrugada. Hoje é dia de palhaçada eleitoral, zero-zero-confirma me parece a melhor opção. Ao menos ninguém vai poder me acusar de participar dessa porcaria que se ouve na tv todos os dias... E o resto? Vai bem, obrigado. Com duas pernas vou tão longe quanto quiser, então vou. 

Terça-feira, Setembro 30

Reflexoes

Li num blog sobre dias cinzas e a autoanalise (com hifen?) que esses dias costumam provocar e me perguntei se meus dias nao estariam sendo sempre cinzas e nao coloridos... Bom, que caia uma chuva de cores do lado de ca', entao, porque os tempos de crise haverao de passar quando a tempestade cessar e o mar acalmar. Long live the king!

Terça-feira, Agosto 5

Chocolate

Comi um chocolate que ganhei de alguem especial. Enquanto abria a embalagem, num movimento lento e impreciso, pensava em quantas vezes deixei de dizer o quanto era importante pra mim, o quanto me agradava sua companhia. Estranhei a sensacao de ainda sentir o gosto do chocolate na boca mesmo depois de ter acabado, de precisar se conformar com a inexistencia daquilo que ja' fazia parte de mim. De qualquer maneira foi mesmo uma delicia.

Segunda-feira, Agosto 4

Quando o fim chega, ninguem sabe o que fazer. O que faco eu?
Nao sei o que fazer com os bracos, nao sei onde colocar as maos. Os bracos que deram tantos abracos e as maos que tantas vezes acalmaram, os pes nem sabem onde ir por nao ter onde chegar.
Nao basta a mente ser forte e se sobrepor ao coracao quando a gente ainda lembra que o maior sonho foi ao chao.

Se ja nao existe mais, restam apenas as doces lembrancas daquilo que foi - e com o amargo de saber que ate o sonho perfeito acabou por ruir, o gosto doce fica por muito tempo na boca...